REVIEW: alguns excelentes CDs de e-music que não tiveram o reconhecimento que mereciam
Vou citar para vocês neste post alguns álbuns que, em teoria, tinham todos os elementos para terem sido sucesso nas paradas, mas que por vários motivos, acabaram não tendo o reconhecimento que certamente mereciam ter obtido.
Faço questão de deixar claro que a intenção deste artigo não é, de forma alguma, diminuir o trabalho dos artistas citados. Muito pelo contrário! Desde o princípio, quando eu pensei em escrever esta Review, a intenção é ressaltar as qualidades. Estou tocando nesse assunto porque hoje em dia fala-se muito em um termo, geralmente usado em tom pejorativo, chamado Flopar [em outras palavras, não obter o sucesso esperado], mas o tal do Flop não leva em consideração a qualidade, apenas os índices de vendas, de execução em programas de rádio e televisão. A indústria da música tem muito disso! Muitas vezes, os índices quantitativos valem mais do que os qualitativos, o que leva uma música ou um álbum que tinha tudo para fazer sucesso, acabar não tendo o desempenho esperado. Por outro lado, também pode levar algumas músicas e álbuns que você nunca imaginaria estar fazendo sucesso, ganharem o mundo.
Mama Lover (Serebro)
O álbum possui várias faixas excelentes, mas só contou com 2 singles oficiais: as músicas Mama Lover, que dá título ao álbum e que segundo a gravadora alcançou um sucesso moderado na Europa, e Gun, que eu percebi ter feito muito sucesso no Brasil. Ouvi essa música em baladas, rádios e até sendo usada como jingle em propagandas.
Apesar de eu ter gostado dos singles, minhas faixas preferidas são outras. Músicas muito boas, aparentemente com um grande potencial, se fossem utilizadas e divulgadas da maneira correta, mas que acabaram se tornando meras coadjutantes, como Paradise, Angel Kiss e Never Be Good, mas as verdadeiras obras primas são Like Mary Warner, Why? e Sexing You.
Destiny (Tom Hopkins feat. Samara)
Essa empreitada começou quando a cantora Giovana Félix, uma participante da primeira temporada do reality show Ídolos do SBT, formou o projeto House Boulevard junto com Hopkins, William Naraine (o Double You), Gino Martini e Cássio Play, mas após lançar dois singles, Giovana partiu para outro projeto e Samara assumiu os vocais do House Boulevard, chegando a lançar apenas Set Me Free, o terceiro single e maior sucesso do projeto.
Com o fim do House Boulevard, Tom Hopkins e Samara iniciaram um projeto só deles dois. O duo lançou o single Destiny e estourou nas paradas em todo o Brasil, fazendo um sucesso que se manteve como o de Set Me Free. Juntos estes singles renderam à Tom Hopkins e Samara prêmios no DJ Sound Awards.
Logo depois vieram os singles Let The Party Started, Power Of Love e Bring It On, um melhor que o outro, até vir o álbum completo, com CD duplo, sendo o Disco 1 com as faixas eletrônicas e o Disco 2 com faixas acústicas e pop/rock. Sem sombra de dúvidas foi um material muito bem bolado, mas que não ganhou a atenção do público. Faixas sensacionais como Believe Me, Stay With Me e Bring Me Love, tanto em suas versões originais quanto acústicas, e os excelentes remakes dos clássicos I'll Fly With You e Livin' On A Prayer ficaram na geladeira.
Um dos maiores vilões contra o sucesso do álbum Destiny sem sombra de dúvidas foram os downloads ilegais, seguido do fato de que o público brasileiro prefere valorizar o que é produzido fora do que o que é fruto dos artistas nacionais.
Ready To Dare (AnnaGrace)
Este álbum é um divisor de águas na carreira da Annemie! Ao ouvi-lo, você se depara com um trance moderno, bem consistente e que acompanhou as tendências de evolução desse segmento musical. Não que o trabalho do Ian Van Dahl já não fosse, mas o álbum de AnnaGrace acompanhou a mudança da artista. Não soava como um Ian Van Dahl que tinha somente mudado de nome, soava como algo totalmente novo, mas sem se perder da essência.
A escolha dos singles também foi impecável, mas talvez a demora no lançamento do álbum tenha os prejudicado. Quando o ábum foi lançado, AnnaGrace já estava trabalhando com o seu quarto single, e depois do lançamento do álbum, somente mais um single foi lançado, e algumas faixas sensacionais ficaram na geladeira, como Beat Of My Heart [não me conformo em esta não ter sido single] e Shoud Have Know Better.
Detalhe: este álbum era super aguardado pelo público amante de música eletrônica, que já esperavam pelo 3º álbum do Ian Van Dahl desde 2007 [e que acabou não sendo lançado nunca, por conta do fim do projeto], mas o álbum de estréia da AnnaGrace acabou restrito à Bélgica, uma parte pela certa frustração dos fãs do Ian Van Dahl em relação ao trabalho de AnnaGrace e outra parte por conta da ausência de estratégia promocinal da gravadora com foco no mercado mundial.
Resultado: hoje em dia esse excelente álbum é raro, porque foi lançado em uma tiragem muito pequena e restrita ao seu país de origem. Uma pena!
Red (Dangerous Muse)
O excelente Red, que poderia ter servido como porta de entrada para o tão esperado álbum Take Control do Dangerous Muse, acabou servindo apenas como um divisor de águas na carreira do projeto. O lançamento do EP ocorreu logo após o tecladista Tom Napack abandonar o duo e Mike Furey ficar sozinho na parte criativa, mas com o suporte da sua banda de apoio, ele decidiu continuar com o Dangerous Muse ao invés de partir para a carreira solo ou simplesmente abandonar o projeto que mantinha desde 2005, com o lançamento do single e EP de The Rejection.Desde o início, o Dangerous Muse nunca lançou um álbum completo, somentes EPs e singles em formato digital e um único Promo CD com remixes de Give Me Danger em formato físico. Em 2009, começou-se a especular sobre Take Control, o álbum de estréia deles, com lançamento previsto para 2010 e que teve até single carro-chefe oficialmente lançado, com direito à clipe bem produzido e tudo, para a música I Want It All. Também chegou a ter algumas faixas vazadas, mas até hoje nunca veio a conhecimento público em totalidade.
Red EP foi lançado no final de 2012 e o seu download foi disponibilizado gratuitamente por Mike Furey através do site oficial do Dangerous Muse. Uma excelente estratégia, não? Algum tempo depois, o álbum também começou a ser vendido em formato físico, também pelo site oficial do projeto, ao preço de U$25 [e ainda dá pra comprar, com Frete de U$10 para o Brasil. Um total de U$35, cerca de R$78,50].
Para compreender toda a magnitude e saber mais detalhes sobre o Red EP, leia a nossa resenha escrita na época do seu lançamento clicando AQUI.
Abaixo, você poderá ouvir o EP na íntegra, através da página oficial do Dangerous Muse no SoundCloud:
Considerações Finais
Obviamente, há muito mais álbuns de música eletrônica, de artistas brasileiros e estrangeiros, que achamos que não teve a projeção e reconhecimento merecido. No entanto, fica inviável escrever sobre todos em um único post, né? Iria ficar algo imenso isso aqui. rsrs... Mas procurei escrever sobre 4 dos que eu acho bem injustiçados, visando promover uma análise breve, pertinente e agradável à leitura :)
Marcadores: AnnaGrace, Dangerous Muse, Destiny, Mama Lover, Ready To Dare, Red EP, Samara, Serebro, Tom Hopkins






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