sábado, 11 de janeiro de 2014

Review: uma breve análise sobre "Beautiful", o álbum de estréia da Natalia Damini

A cantora cearense Natalia Damini, um dos talentos mais promissores do atual cenário de e-music nacional, lançou nesta sexta (10/01), através do iTunes, o seu álbum de estréia. Ela já havia lançado um EP com 6 faixas, intitulado Bad Girl, em Novembro de 2013, que de certo modo serviu como um aperitivo para o álbum Beautiful, que trás no total 17 faixas no repertório.
Nem todas as músicas presentes são faixas inéditas. As músicas Feelin' The Love, Feel The Music, Can't Be Without You e One More Chance todas foram lançadas anteriormente como singles oficiais, ao longo da carreira de Damini, e Kiss It esteve presente no Bad Girl - EP.

PRECEDENTES

Natalia Damini, natural de Fortaleza, ganhou fama e prestígio entre os amantes brasileiros de e-music quando deu voz a uma produção do seu amigo e conterrâneo Alahin, o hit Feelin' The Love. A música estourou no Brasil inteiro e fez os rostinhos da Nati e do Alahin se tornarem figurinhas conhecidas, principalmente entre o público LGBT. Não demorou para que a cantora alçasse vôos maiores e desse voz a hits de DJs e produtores renomados, como o mineiro Allan Natal, a dupla maranhense Altar, o paulista Tommy Love, entre outros.
Eu, particularmente, passei a ver a Natalia com outros olhos quando ela lançou It's Over, em parceria com a dupla Altar. Na minha opinião, é um dos seus melhores hits até hoje, e ganhou um vídeo muito bem produzido, já para dar uma projeção diferente à Nati, de popstar mesmo. Sobre a produção musical do Altar, dispensa comentários, né?!


O ápice da carreira da Nati veio com o lançamento de Can't Be Without You, produção assinada pelo Mister Jam, e que motivou Damini a ir mudando aos poucos o foco do seu trabalho, que até então era voltado específicamente para e-music, e a partir daí passou a ter uma projeção mais pop.
Em seguida, vieram a colaboração com a também cantora de e-music Nicky Valentine na excelente Call Me Bitch e o single solo One More Chance, sua segunda música pop.



EXPECTATIVA

Não vou ser hipócrita! Amo a Natalia Damini e acredito muito no talento dela, mas eu não estava com uma boa expectativa para o seu álbum de estréia. No entanto, ao ouvi-lo pela primeira vez, pude atestar que não é um álbum ruim, é um trabalho bem produzido, talvez não tão maduro, mas temos que considerar que é um debut, e o repertório não deixa de apresentar seus louvores.
Agora deixe-me explicar a razão das minhas expectativas negativas: no começo, eu gostei muito da idéia de Natalia Damini projetar a sua carreira para o público pop. Amei Can't Be Without You e One More Chance, mas quando produtores internacionais começaram a trabalhar com a Nati e lançaram Bad Girl como single, eu não me animei muito.


Achei a música fraca, que soou como "mais do mesmo", e para mim não tinha potencial para single. Talvez por isso não tenha ganhado um videoclipe e nem está presente no álbum Beautiful.
O título do álbum também não soa tão criativo. Não sei qual foi o fator determinante na escolha da palavra Beautiful, mas para mim não é um termo que faça analogia à nenhum conceito que tenha sido tão bem elaborado. Muito pelo contrário, acho um termo genérico, que abre caminho para várias interpretações.


PONTOS POSITIVOS

Há excelentes faixas no álbum, como Kiss It, Far Away e Flashing Lights, esta terceira inclusive tem produção assinada por Alahin, responsável pelo lançamento da Nati no mercado de e-music nacional. Do meu ponto de vista, todas essas três tem grande potencial para próximos singles.
Outras faixas como Color Blind, Falling Down, Runaway e Sheer Heaven também merecem destaque por serem baladas pop até interessantes, mas não chegam a soar como nada que já não tenhamos ouvido antes.
O álbum conta com várias colaborações. Entre elas, ninguém menos que Nicki Minaj, e só o fato de uma artista de peso estar presente no álbum, faz com que as pessoas olhem para a Nati de uma forma diferente, tipo "a brasileira que tem uma música com participação da Nicki Minaj" ou algo assim. Vamos admitir: não é pra qualquer um, ok?
Outra coisa bacana é que as versões de Feel The Music e Feelin' The Love que estão presentes no álbum apresentam algumas diferenças sutis em relação às versões que foram lançadas anteriormente, sendo que Feel The Music funciona mais como uma "Intro" pro álbum.


PONTOS NEGATIVOS

O álbum apresenta uma certa inconsistência, eu diria, que não costuma me atrair muito em álbuns pop. A sonoridade começa com uma influência eletrônica, que logo parte pro RnB, flertando com Hip Hop, mas sem perder a essência do pop, até chegar a faixas com um toque de baladinha. No geral, o álbum é constituído de um pop muito genérico, e eu não costumo dar muita atenção a álbuns com essa caracterísica, de um certo "ecletismo" na sonoridade, porque não costuma deixar implícito o conceito geral da obra.
A impressão que eu tive, a grosso modo, foi a de que os gringos vieram buscar um artista de fora do seu país para produzir como um experimento e transformar numa estrela pop genérica e, na boa, Natalia Damini não pode ser transformada numa estrela pop genérica. Para tentar explicar melhor, vou tentar fazer uma analogia com o que aconteceu à boy band brasileira P9: recentemente um vídeo release contando sobre como se deu a produção do álbum de estréia da banda P9 me chamou muito a atenção. O álbum foi gravado e produzido fora do Brasil, por produtores gringos, mas quando o álbum foi ouvido após a pré-produção, soou como "mais do mesmo". Os próprios produtores não sentiram brasilidade nas músicas do CD, que mesmo com um repetório quase todo em inglês, não podia soar como uma banda gringa, porque era uma banda brasileira. O que a gravadora fez? Recrutou um produtor brasileiro, que entendesse tudo de ritmos do nosso país, mas que soubesse traduzi-los para um contexto pop. Esse produtor foi ninguém menos que Carlinhos Brown, que deu ao álbum do P9 mais originalidade.
Entendeu onde eu quis chegar? De que vale um artista brasileiro conseguir renome aqui nas nossas terrinhas e sair do Brasil pra fazer um som que não tem a sua cara? De que vale lançar um álbum pop, se o seu álbum não vai trazer nada que já não tenha sido apresentado por outros artistas antes? Se o seu álbum não tem um conceito original? Enfim, é isso o que eu tô tentando dizer.
Eu prefiro álbuns que seguem um conceito específico, que contemplam uma sonoridade bem consistente e original. Não é à toa que os álbuns pop mais aclamados pela mídia e pelo público são albuns assim, que seguem um linha específica e soam como uma obra única e completa. Posso citar como exemplos Confessions On A Dance Floor da Madonna, In The Zone da Britney Spears, Future Sex/Love Sounds do Justin Timberlake, Teenage Dream da Katy Perry, The Fame/The Fame Monster da Lady Gaga e mais uma infinidade de outros que só fariam volume se eu os citasse aqui.


MÚSICAS QUE FICARAM DE FORA DO REPERTÓRIO

Ficaram de fora Your Lies e It's Over, que foram respectivamente o segundo e o terceiro singles da carreira da Nati, o primeiro produzido por Allan Natal e o segundo pela dupla Altar.


For Real também ficou de fora, mas na verdade é uma faixa do DJ e produtor Patrick Sandim com a colaboração da Nati.


Bad Girl, que inicialmente parecia ser o carro-chefe do álbum, também acabou ficando de fora do repertório, e por fim uma unreleased chamada Never Say Goodbye.


FATORES QUE PODERIAM TER AGREGADO MAIS VALOR AO ÁLBUM

Por terem sido tão bem produzidos, acho que o álbum poderia ter incluído os vídeos de Can't Be Without You e One More Chance no repertório, já que as faixas aparecem no álbum. Por ele está sendo lançado no iTunes, em formato digital, seria até um diferencial, algo que poderia motivar as pessoas ainda mais a baixar o álbum por meios legais, para ter também os vídeos.
Também senti falta de um Digital Booklet.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tenho certeza que este álbum é só a pontinha do iceberg em uma carreira promissora para a Natalia Damini, o pontapé inicial que ela precisava para se mostrar ao mundo como a excelente artista pop que é. O talento dela é inegável, ela possui excelente potência e extensão vocal.
Meu intuto com esta breve resenha foi simplesmente, como fã, mas acima de tudo, como blogueiro, expor o meu ponto de vista sob um olhar-clínico a respeito do álbum.
Minha conclusão é a de que vale a pena ter o álbum Beautiful. Por mais que não tenha superado as minhas expectativas da forma como eu esperava, não podemos deixar de considerar que um álbum de estréia é um marco importante na carreira de um artista. Muitos artistas talentosos nunca chegam a lançar um álbum completo ou demoram muito, e a nossa brasileirinha conseguiu lançar o álbum dela. É algo que envolve muito trabalho, custos financeiros, dedicação e o artista certamente espera um retorno por isso. Portanto, eu lhes digo, principalmente aos fãs e admiradores, mas também àqueles que estão curiosos para ouvir o álbum: COMPREM ELE NO ITUNES. Se não der pra comprar no iTunes, por você não ter um cartão de crédito internacional ou outro motivo, pelo menos ouça as prévias e espere até que o álbum seja lançado em formato físico para adquiri-lo. Retribua o artista pelo trabalho, dedicação e carinho que ele teve ao criar o álbum. Valorize o talento e a obra intelectual do artista, e principalmente os artistas brasileiros, para que eles sejam respeitados da forma como merecem aqui e lá fora.

Para comrpar o álbum Beautiful no iTunes, clique na imagem abaixo:

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